10/04/2009 - A Cruz De Cristo é Motivo De Esperança, Diz Pregador Do Papa
Sexta-feira, 10 de abril de 2009, 17h42
A cruz de Cristo é motivo de esperança, diz pregador do Papa
Da Redação, com Rádio Vaticano
Paula Dizaró / Roma
Adoração à Santa Cruz durante a Celebração da Paixão de Cristo
"A cruz de Cristo é motivo de esperança para todos", afirmou hoje, 10, o pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, na homilia da Celebração da Paixão de Nosso Senhor. As funções litúrgicas foram presididas pelo Papa Bento XVI, na Basílica de São Pedro. no Vaticano.
O rito da Paixão do Senhor consiste na proclamação da Palavra de Deus, a apresentação e adoração da Cruz, e a comunhão dos fiéis. Durante a Liturgia da Palavra, é lida a narração da Paixão segundo o Evangelho de São João.
Após a Liturgia da Palavra, Frei Raniero Cantalamessa, fez a homilia propondo algumas passagens dos escritos de São Paulo sobre o mistério da morte de Cristo, que estamos celebrando. E recordou, o Ano paulino em andamento – no bimilenário do nascimento do Apóstolo dos Gentios – afirmando que ninguém melhor que São Paulo pode ajudar-nos a compreender o significado e alcance de tal mistério.
Mistério da morte de Cristo
O religioso ressaltou que "a morte de Cristo tem um alcance universal: 'O amor de Cristo nos compele, considerando que, se um só morreu por todos, logo todos morreram' (2 Cor 5, 14). Sua morte deu um sentido novo à morte de cada homem e mulher".
Aos olhos de Paulo, a cruz assume uma dimensão cósmica. Frei Cantalamessa lembrou que "a antiga tradição desenvolverá o tema da cruz como árvore cósmica que, com o braço vertical, une céu e terra e, com o braço horizontal, reconcilia entre si os diversos povos do mundo".
Evento cósmico e ao mesmo tempo personalíssimo, observou o pregador da Casa Pontifícia: "me amou e se entregou por mim" (Gal 2, 20). Cada homem, escreve o Apóstolo, é um "daquele por quem Cristo morreu" (Rom 14, 15).
"Paulo plantou a cruz no centro da Igreja como mastro principal no centro do navio; tornou-a fundamento e centro de gravidade de tudo. Fixou para sempre o quadro do anúncio cristão. Os evangelhos, escritos depois dele, seguiram o esquema, fazendo do relato da paixão e morte de Cristo a base sobre a qual tudo está orientado."
Desafios atuais da fé
A finalidade do Ano paulino – observou o frade capuchinho – não é tanto conhecer melhor o pensamento do Apóstolo, é mais, como recordou em muitas ocasiões o Santo Padre, aprender de Paulo como responder aos desafios atuais da fé.
O pregador da Casa Pontifícia identificou num desses desafios, talvez o mais aberto e mais conhecido até hoje, um slogan publicitário escrito nos meios de transporte público de Londres e de outras cidades européias: "Deus provavelmente não existe. Portanto deixe de se preocupar e aproveite a vida".
"O elemento de maior preocupação desse slogan não é a premissa 'Deus não existe', mais a conclusão: 'Aproveite a vida!' A mensagem subliminar é que a fé em Deus impede de desfrutar a vida, é inimiga da alegria. Sem essa, existiria mais felicidade no mundo! Paulo nos ajuda a dar uma resposta a este desafio, explicando a origem e o sentido de cada sofrimento, a partir do sofrimento de Cristo."
Porque "era necessário que Cristo padecesse para entrar em sua glória"? (Lc 24, 26). A necessidade não é de ordem natural, mas sobrenatural, observou Frei Cantalamessa, acrescentando que nos países de antiga fé cristã se associa quase sempre a idéia de sofrimento e de cruz à de sacrifício e expiação.
São Paulo escreve que Deus predeterminou Cristo "a servir como instrumento de expiação" (Rm 3, 25), mas tal expiação não opera sobre Deus para aplacá-lo, mas sobre o pecado para eliminá-lo. "Pode-se dizer que é Deus mesmo, não o homem, que expia o pecado... a imagem é mais a da remoção de uma mancha corrosiva ou a neutralização de um vírus letal que a de uma ira aplacada pela punição".
Pecado, principal causa da infelicidade
O pregador da Casa Pontifícia evidenciou que Paulo leva a sério o pecado, não o banaliza: "O pecado é, para ele, a causa principal da infelicidade do homem, isto é, a rejeição de Deus, não Deus! Isso prende a criatura humana na 'mentira' e na 'injustiça' (Rm 1, 18 ss; 3, 23), condena o próprio cosmo material à 'vaidade' e à 'corrupção' (Rm 8, 19 ss.) e é a causa última também dos males sociais que afligem a humanidade".
Fazem-se análises sem fim da crise econômica em ação no mundo e de suas causas, mas quem ousa meter o machado na raiz e falar do pecado? – perguntou-se o religioso.
"O Apóstolo define a avareza insaciável uma 'idolatria' (Col 3,5) e aponta na desenfreada ganância de dinheiro 'a raiz de todos os males' (1 Tm 6, 10). Podemos dizer que está errado?" – insistiu Frei Cantalamessa.
"Por que tantas famílias perderam tudo, massas de operários que permanecem sem trabalho, se não pela sede insaciável de lucro por parte de alguns? A elite financeira e econômica mundial se tornou uma locomotiva louca que avançava em curso desenfreado, sem pensar no restante do trem que ficou parado à distancia sobre os trilhos. Estávamos andando todos na 'contramão'."
Cruz de Cristo é esperança para todos
O religioso observou que o sofrimento permanece sendo, certamente, um mistério para todos, especialmente o sofrimento dos inocentes, mas sem a fé em Deus ele se torna imensamente mais absurdo.
O pregador da Casa Pontifícia concluiu afirmando que "a cruz de Cristo é motivo de esperança para todos, e o Ano paulino, uma ocasião de graça também para aqueles que não acreditam, mas buscam. Uma coisa fala a favor deles diante de Deus: o sofrimento! Como o restante da humanidade, os ateus também sofrem na vida, e o sofrimento, uma vez que o Filho de Deus tomou sobre si, tem um poder redentor quase sacramental. É um canal, escreve João Paulo II na 'Salvifici doloris', através do qual a energia salvífica da cruz de Cristo é oferecida à humanidade".
Frei Cantalamessa encerrou citando uma comovente oração feita na liturgia desta Sexta-feira Santa, logo após o convite a rezar "por aqueles que não acreditam em Deus":
"Deus onipotente e eterno, tu colocaste no coração do homem uma profunda nostalgia de ti, e só quando te encontramos vivemos a paz: faze que, superando cada obstáculo, reconheçamos os sinais da tua bondade e, estimulados pelo testemunho da nossa vida, tenhamos a alegria de crer em ti, um verdadeiro Deus e Pai de todos os homens. Através de Cristo, nosso Senhor."
10/04/2009 - \'Também Vós Deveis Lavar Os Pés Uns Dos Outros\'
'Também vós deveis lavar os pés uns dos outros'
O Senhor começou a ceia da instituição da Eucaristia lavando os pés dos Seus apóstolos. Esse episódio tem uma ligação muito íntima com a Eucaristia. Lavar os pés era uma coisa própria dos escravos. Nenhum homem livre fazia isso. Nem mesmo um discípulo lavava os pés de seu mestre.
Diante de todas as discussões dos apóstolos sobre quem seria o maior ou o menor, sobre quem teria o primeiro ou o segundo lugar em seu reino, Jesus, naquela última ceia, começa assumindo a posição de escravo. Foi isso que espantou Pedro e os demais discípulos: Cristo toma uma bacia, um jarra com água, a toalha e se põe a lavar os pés de Seus apóstolos. Ele assume a posição de escravo.
O Senhor foi lavando os pés dos discípulos, um após o outro, até chegar a vez de Simão Pedro, que não queria permitir que o Mestre fizesse isso. Jesus dialogou, até que este aceitou que o Senhor lhe lavasse os pés também. Depois de ter lavado os pés de todos eles, Cristo tomou a palavra e disse: “Vós me chamais de Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque realmente eu o sou. Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Eu vos dei um exemplo, para que vós também façais como eu fiz”.
Nosso Senhor queria dizer que havia tomado a mais absoluta posição de serviço. Seus discípulos O chamavam de Senhor e Mestre e deviam mesmo fazê-lo, porque Ele o é. Logo, se o Senhor e Mestre tinha tomado a posição de escravo lavando-lhes os pés é porque queria que eles fizessem o mesmo.
Que cada um assuma a posição de escravo diante de seu irmão e seja como o escravo de seu irmão. Isso é básico no Cristianismo. Amar significa lavar os pés de quem amamos. Isso é se colocar a serviço, é o maior gesto de amor, é ser servo. É um gesto no qual a pessoa se dobra diante do outro, quebrando todas as barreiras do preconceito e orgulho, pois o amor supera tudo.
A Eucaristia é a maior prova de amor e doação. O Senhor se dá por inteiro nesta linda manifestação de amor e doação. Jesus serve e nos convida para servirmos os demais, manifestando esse amor e entrega por meio da Eucaristia. Uma presença real que nos sustenta e nos une.
10/04/2009 - Fomos Curados Graças às Chagas De Cristo
Sexta-Feira, 10 de abril 2009 Fomos curados graças às chagas de Cristo
"Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele. Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas" (Isaías 53, 3-5).
Deus ama este mundo e quer mudá-lo, mesmo este sendo mau. O Senhor não o criou para condená-lo, Ele quer transformá-lo. Jesus é todo o tesouro de Deus Pai e Ele não hesitou em dá-Lo para que a humanidade fosse salva por Ele. A salvação é para o mundo inteiro, sim, mas também é para cada um de nós. A salvação não é uma coisa, é Alguém: quem nos salva é Jesus. Deus é o único que pode nos alcançar essa graça.
Hoje, Jesus está gritando para você da sua cruz. Ele veio para os doentes, para os pecadores, Ele veio para você. É como se o Senhor dissesse: "Eu já te salvei! Agora é só acolher a salvação". O Senhor está chamando você que estava à frente, que já havia se dedicado a Ele, mas que ao longo do caminho se decepcionou com pessoas, com situações que lhe causaram dor; hoje Ele quer banhá-lo com Seu Sangue.
O Espírito, do qual Jesus estava cheio e que Ele entregou, é o Espírito Santo. Receba-O agora, assim como uma esponja, não como uma pedra. No estado em você se encontra. Peça-O agora a Deus. Acolha a salvação de Cristo você que se frustrou com a Igreja e com o próprio Senhor. Você que se decepcionou, Cristo Redentor não se decepcionou com você, Ele o está esperando, Ele o perdoou desde o primeiro momento, mesmo você não O tendo perdoado. Acolha o perdão de Cristo como uma transfusão de sangue, para lhe dar vida, para você que estava morrendo. O sentido que você buscava para a sua vida, que havia perdido, o Senhor vem lhe trazer de volta, devolvendo-lhe a vida. Pare de se acusar, de se condenar, Ele não o condena, Ele o acolhe e o perdoa. O que faltava não era somente o perdão do Messias, mas o seu perdão para si mesmo.
"Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu Sangue, seremos por ele salvos da ira" (Rm 5,8-9). São Pedro também revela que fomos resgatados pelo Sangue do Cordeiro de Deus, mediante "a aspersão do seu Sangue" (cf. I Pedro 1, 2).
Irmãos, como o grande apóstolo Pedro, proclamemos: "Bendito seja Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia Ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós nos céus; para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa da vossa fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos" (I Pedro 1, 3-5ss).
'Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo'
A soberba é o pior de todos os pecados capitais. É o que levou os anjos maus a se rebelarem contra Deus e Adão e Eva à desobediência e ao pecado original. Alguém disse que o orgulho é tão enraizado em nós, por causa do pecado original, que “só morre meia hora depois do dono”. Por outro lado, por ser o oposto da soberba, a humildade é a grande virtude, a que mais caracterizou o próprio Jesus: “Manso e humilde de coração” (cf. Mt 11,29) e também marcou a vida da Virgem Maria: “A serva do Senhor” (cf. Lc 1, 38), assim como a de São José e de todos os santos da Igreja.
Para se viver uma nova vida, são exigidas novas atitudes
Entende-se por casamento a união legítima entre um homem e uma mulher que se dispõem a viver sob os mesmos princípios regidos pela Igreja. Isso não isenta o casal de viver os impasses e os desafios no exercício da vida comum. Viver um compromisso de profundos vínculos, como é o casamento, sem abdicar dos hábitos vividos enquanto solteiros, certamente, fará com que os casais enfrentem muitos problemas e complicações no convívio.
Realizar constantemente a reconciliação com nós mesmos, com os outros e com Deus
“Aceitar livremente obedecer e ser dócil é caminho para a maturidade: tornar-se adulto psicologicamente e, sobretudo, adulto em Cristo” (monsenhor Jonas Abib).